terça-feira, 9 de junho de 2009

As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.




Estava eu remexendo a formidável montanha de papeis xerocados e livros sobre a minha escrivaninha em busca de uma lista de exercícios, quando encontro resquícios das minhas aulas (ai que saudade!) de Filosofia. Procura-se regra de L’Hôspital, encontra-se divagações sobre o belo. Ironissíssimo. Junto a isso idas recentes a salões de beleza e algum (ou muito) tempo presa em engarrafamentos formaram uma mistura massa pasta bolo refletivo dento de minha cabeça.

“As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.”

Disse meu estimado Vinícius de Moraes em Receita de Mulher (apesar de que, a maioria das pessoas ignoram o fato de que há continuação após esse verso).

É muito fácil gostar do belo. Fomos feitos para amar o belo. Pelo menos, para ter preferência por ele. Mas a beleza está nos olhos de quem vê, não? Sim, padrões de beleza mudam, além do mais, gosto é gosto. Mas digamos que haja um consenso para o irrefutavelmente belo. Quer dizer, não há quem ache a natureza feia. Picos nevados, cachoeiras em meio a pedras e vegetação, aquele marzão, mesmo quando está púmbleo. Não há quem resista. Prendem a atenção dos olhos, forçam exclamações (ia citar algo sobre mulheres gostosas passando, ams deixa pra lá).

Porque pessoas gostam de borboletas, ou melhor, pegando um exemplo comparativo mais próximo, adoram joaninhas mas odeiam baratas? Porque joaninhas são redondinhas, coloridinhas, de bolinhas, e baratas, são horrorosas. Alguns hipócritas (como eu) arranjam desculpas como “elas fedem”, ou “são sujas”, mas por favor! Há algo que feda mais do que os grandes felinos, com seu acre cheiro de urina? Mesmo assim nunca vi, ou melhor, ouvi ninguém dizer que odeia tigres, panteras, pumas ou oncinhas pintadas. Porque são todos belos. Há um consenso sobre o belo assim como há com os aromas. Por mais que pessoas divirjam quanto a fragrâncias de perfumes, estão todas inclusas em cheiro bom, enquanto percevejos e putrefação entram categoricamente em ruim. Angelina Jolie é, para todos, linda.

E aí chega a parte interessante. Hipoteticamente há dois caras. Deixemos de lado a personalidade e os avaliemos fisicamente. Um deles é lindo. Lindo para os padrões gerais, tal como uma joaninha ou, ainda nos jotas, a Jolie. Por outro lado, lindo decididamente não é o adjetivo que se aplicaria ao segundo. Mas ele tem o Q que EU gosto.

[havia uma longa descrição sobre meus gostos específicos para homens e mulheres, o que me atrai, a que eu não resisto, o que me prende a atenção, mas julguei desnecessário.]

Eu com certeza acharia o primeiro mais bonito, parte instintivamente e parte porque minha mente foi moldada para isso. Mas preferiria o segundo, porque ele tem o Q que EU gosto. Então o não lindo se torna lindo, e será o padrão para a MINHA classificação de lindo. Não estou tentando ser uma hipócrita anti-beleza. Pelo contrário, o cara do Q é o MEU tipo de belo, estou buscando o belo, como todos os homens.

Como são pluralmente singulares as pessoas, existe o Q certo para cada um. Porém maioria dos Q específico das pessoas é a beleza padrão. Logicamente, pois não há padrão sem maioria. Ou seja, o Q específico é geral. Oh! Não consigo concluir esse parágrafo. Foi-se a minha linha de raciocínio (se é que havia alguma) após ter me engasgado com uma bolinha de pó de cappuccino oriunda de mau-meximento no preparo.

Cheguei à conclusão de que não cheguei à conclusão alguma, não disse nada substancial, isso não é um conto, nem uma divagação com propósito, nem uma bula de remédio ou qualquer coisa, mas o “nova postagem” vai cortar os pulsos se eu não alimentá-lo.


2 comentários:

Vitor Leite disse...

hum...

sinto que passastes por uma discussão sobre a escolha do seu namorado, e eis a sua justificativa

:P

Felipe disse...

e viva os cabeludos!