quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Triste história de Eduardo

Eduardo era um elefante que adquiriu elefantíase. Não era ele o único doente da família, sua mãe sofria de trombose (mas não na tromba, seriam trocadilhos com doenças demais numa só família), e sua irmã tinha problema nos ovários. 

A cura buscando, decidiu Eduardo procurar o Arbusto Sábio, que além de arbusto era também médico. Acontece que com a saúde debilitada, a locomoção para Eduardo se tornava algo realmente penoso. Pediu então que sua irmã procurasse e trouxesse o Arbusto Sábio até ele, e assim ela foi. 

Passaram-se dias e nada da irmã retornar com o Arbusto, tão pouco sem ele. Descobriram, por fim, que no meio do caminho tinha a irmã um rapaz encontrado, por ele se apaixonado, e com ele fugido, não sabe pra onde. 

Eduardo então pediu que seu simpático vizinho Zebra fosse o Arbusto buscar. 

Infelizmente não pôde Zebra concluir sua missão, pois fora atacado e comido por leões, restando apenas sua carcaça, que foi devorada pelas hienas, restando apenas os ossos, que foram roídos por cachorros do mato. 

Temendo que Eduardo caísse em depressão pela tristeza e pela culpa, seus amigos e familiares preferiram a ele não contar a respeito do triste fim do seu vizinho, e então lhe contaram que o Zebra havia fugido com o circo. 

Porém, ouvindo atrás da porta a conversa dos antílopes, Eduardo descobriu toda verdade. Ficou transtornado. Perguntou-se se o mesmo não tinham feito com a história da sua irmã. Que fim realmente teria tido ela? E por que desculpas tão cinematográficas?  Que obsessão por fugas! Com a tristeza em seu peito, a desconfiança nos amigos, a doença e a dúvida a lhe corroer, Eduardo sentiu em seu âmago o desgosto pela vida, e quis morrer. Intensificou-se sua vontade ao saber que tinha o Arbusto Sábio morrido graças a queimadas criminosas. Nem ao menos havia a chance de curar-se (se é que antes havia). Decidiu então matar-se. 

Não conseguiu se matar. Caçadores não o caçariam pois estava numa reserva. Não conseguia se deslocar até um penhasco e de lá se jogar. Fez uma fogueira, mas como acendê-la? Os leões não o queriam comer, nem os cachorros, nem as hienas. Ele nada sabia sobre plantas venenosas, e morrer de fome era demasiadamente doloroso. Decidiu então viver. 

2 comentários:

nana disse...

Ahh, amante, amo tudo o que você escreve.
(eu pensei em dizer 'amo tudo que sai de você', mas depois refleti e não achei poeticamente legal)
srohsaó
:*

Felipe disse...

acho q esse elefante tava era preguiçoso pra arrumar uma forma de morrer hehe