domingo, 25 de janeiro de 2009

Radiografia do rádio


- Ela é legal, cara. Como vocês se conheceram?

- Bem, isso já tem 2 anos. Eu sou professor de educação infantil, sabe? Nessa época estava pegando a Alfa I, e a primavera se aproximava. Sempre na primavera, a escolinha organiza um festival, para os alunos se apresentarem para os pais. A alfa I ficou com o teatrinho. Íamos encenar a o crescimento das flores, e precisávamos de chuva.

- mmm

- Para fazer os efeitos sonoros, pedi que os alunos trouxessem panelas, arroz cru,

- panela e arroz cru?

- É, tipo, joga-se o arroz cru na panela, devagar, e dá um efeito de chuva caindo.

- entendo...

- enfim, que trouxessem arroz cru, panela e radiografias...

- para os relâmpagos/trovões e afins?

- Exato. E foi aí.

- Foi aí? Tipo, era a mãe de alguma aluna...?

- Não, aí que eu vi o rádio mais lindo do mundo.

- wfh?

- Rádio, aquele osso do antebraço. Ah, era tão lindo, tão esfumaçadamente branco no azul escuro da radiografia. Pense num rádio perfeito, era ele. Foi Paulinha, uma das alunas que tinha trazido.

- Então era da mãe dela?

- Não, da tia. Tinha fraturado numa queda. Sabão em pó, água e escada, você sabe. Daí ela esqueceu a radiografia lá, na casa da Paulinha, porque tinha ido direto do Horto para um jantar de família. Aniversário de Casamento dos pais da Paulinha. Ela tinha ido ver se já estava boa, depois de usar gesso por 4 meses. Bem, o rádio estava perfeitamente curado. E lindo.

- Puxa vida, cara, é uma história e tanto.

- É, não é? Estou pensando em escrever uma música a respeito. Um samba, ela adora samba.